Acordo com Maersk garante carga até 2021 à Santos Brasil

Por Fernanda Pires | De São Paulo - 13/11/2018 às 05h00

A Santos Brasil fechou ontem a renovação por mais dois anos do contrato de navegação com o grupo Maersk, seu principal cliente no Tecon Santos, no porto de Santos (SP). Com isso, a empresa dissipa - ao menos por ora - a principal incerteza do mercado quanto à garantia de carga na instalação, a maior do país.

O contrato atual com a Maersk termina em fevereiro de 2019. O novo vai até março de 2021. Detalhes são sigilosos, mas hoje o grupo Maersk responde por 60% dos volumes movimentados no Tecon Santos (incluídos aí os volumes da Hamburg Süd e da empresa de cabotagem Aliança). A expectativa é que esse percentual aumente. O acordo não tem cláusula de compra de fatia no Tecon Santos.

"Há a expectativa real de ter um volume incremental", disse Antônio Carlos Sepúlveda, presidente da Santos Brasil, em entrevista exclusiva ao Valor. Em 2017 o Tecon Santos operou 850,6 mil contêineres, respondendo por 88% da movimentação total dos terminais de contêineres da Santos Brasil, que conta ainda com o Tecon Vila do Conde (PA) e o Tecon Imbituba (SC).

Apesar de ainda ser o maior do país em capacidade de movimentação, com oferta para escoar 2 milhões de Teus (contêiner padrão de 20 pés) por ano, o Tecon Santos perdeu em 2017 a liderança no ranking de terminais brasileiros em movimentação efetiva. Foi desbancado pela Brasil Terminal Portuário (BTP), também localizada no porto de Santos, que tem entre os sócios empresas-irmãs de armadores: a APM Terminals (do mesmo grupo que a Maersk) e a TIL (ligada ao armador MSC).

O Tecon Santos sofreu esvaziamento nos últimos anos com a concorrência de instalações que surgiram no cais santista, notadamente a BTP e a Embraport, e com a consolidação da indústria de transporte marítimo. Isso resultou na concentração de navios em menos terminais ou em terminais da cadeia verticalizada de armadores.

Nesse cenário de mudança do negócio de portos no Brasil, a compra da alemã Hamburg Süd pela Maersk, anunciada no fim de 2016, foi um fator a mais a jogar uma nuvem de incerteza sobre o futuro do Tecon Santos. Terminal "bandeira branca", assim chamado por ser eminentemente um prestador de serviço, sem ter entre os sócios algum grupo ligado à indústria da navegação que lhe garanta a carga, o Tecon Santos estabeleceu uma parceria com a Hamburg Süd desde cedo. No fim dos anos 2000, a Hamburg Süd fechou contrato de seis anos - considerado de longo prazo nessa indústria - com o Tecon Santos que foi renovado por quatro anos e termina agora em 2019. Em linhas gerais, o compromisso era que o Tecon Santos oferecesse bom nível de serviço. Em troca, teria preferência nos volumes do armador operados em Santos.

"Santos era o principal porto para a Hamburg Süd no mundo", disse Sepúlveda. A alemã, especializada nos tráfegos internacionais com a Costa Leste da América do Sul, era a transportadora marítima líder na região, com os maiores volumes. Por isso, quando a Maersk a comprou, houve muita especulação sobre qual seria o destino das linhas de navegação da Hamburg Süd e da Aliança quando o contrato com o Tecon Santos terminasse.

A Maersk manteve a Hamburg Süd e a Aliança como marcas comerciais separadas, dada a identificação do mercado. O Tecon Santos opera serviços com diversos armadores, mas, nos de longo curso, Maersk/Hamburg Süd está presente em quase todos: Norte da Europa, Golfo do México e EUA, Costa Leste da América do Norte, África do Sul e Costa Oeste da América do Sul.

Fonte: Valor

Foto: http://www.valor.com.br/sites/default/files/imagecache/media_library_560/gn/18/11/foto13emp-101-santos-b3.jpg

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