Caminhoneiros voltam a ameaçar com greve em defesa de frete mínimo

JP News
27/10/2018

Trabalhadores de transporte de cargas iniciam mobilização em Goiás e enfrentam resistência e descrédito por novos resultados

Líder da paralisação de caminhoneiros, em maio, Walace Landin “Chorão” convoca nova greve - Arquivo Pessoal

O descumprimento da tabela do piso mínimo do frete está, novamente, acirrando ânimos de caminhoneiros autônomos que apontam falha da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em fiscalizar a medida. Liderados por Wallace Landin, o “Chorão” - líder da mobilização de maio deste ano -, caminhoneiros de Goiás incentivam novo bloqueio estradas, no Estado, nesta segunda- feira (29).

Em vídeo divulgado pelo Facebook, Chorão disse que o objetivo é “bloquear a pista, as entradas das fábricas. Todos os caminhões que estiverem carregados abaixo do piso mínimo vão ter de voltar para a transportadora. Só sai de Catalão dentro do piso mínimo”, disse. Assim, o bloqueio deverá atingir as cargas que vêm do Sul do País, por São Paulo.

O movimento não deve atingir o Estado São Paulo, segundo informou presidente do sindicato autônomos, Norival de Almeida Silva, o “Preto”. Em Santa Catarina, a categoria fará reunião para decidir se adere ou não ao movimento, segundo o motorista Alexandre Fróes, que trabalha no porto de Itajaí. “A movimentação está em todos os Estados”, afirmou.

“Precisamos fazer valer a lei”, disse o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Ponta Grossa (PR), Neori Leobet, o Tigrão.

Além da nova mobilização, uma paralisação está sendo convocada para o dia 10 de novembro.

Há quem duvide da proposta e coloca em descredito a efetividade da iniciativa dos caminhoneiros de Goiás. “A ideia é ótima, mas a execução é muito complicada”, avaliou o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac) de Ijuí (RS), Carlos Alberto Litti Dahmer. “Se existe a lei e a penalidade, e o caminhoneiro se sente acuado para cobrar seu direito, não acredito que vá enfrentar a transportadora de cara limpa”, disse.

Uma queixa recorrente dos caminhoneiros é que as transportadoras pagam abaixo do piso mínimo de frete.

Entre as medidas adotadas para encerrar a greve, em maio, está o subsídio destinado a garantir um desconto de R$ 0,30 por litro de diesel. A medida acaba no dia 31 de dezembro próximo. Porém, não é algo que mobilize os caminhoneiros, porque as regras para o cálculo da tabela dos preços mínimos do frete contemplam o repasse das variações de preço do combustível.

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