Em hotel futurista do Alibaba, robôs entregam comida e toalhas

Valor - 23/01/2019

Em hotel futurista do Alibaba, robôs entregam comida e toalhas

Robôs de diferentes modelos e biometria atendem os hóspedes do FlyZoo. Foto: Valor

Deslizando silenciosamente pelo hotel futurista "FlyZoo" do Alibaba Group, robôs pretos em forma de disco, de cerca de 1 metro de altura, entregam comida e toalhas limpas.

Os robôs são parte de uma suíte de ferramentas de alta tecnologia que, segundo o Alibaba, reduz drasticamente o custo do hotel com mão de obra humana e elimina a necessidade de os hóspedes interagirem com outras pessoas.

Formalmente aberto ao público no mês passado, o FlyZoo, de 290 apartamentos, é a incubadora para a tecnologia que o Alibaba quer vender para o setor hoteleiro no futuro, além de uma oportunidade de mostrar sua perícia em inteligência artificial.

É, também, um experimento que testa os níveis de conforto do consumidor com comércio não guarnecido por mão de obra humana na China - um país em que a tecnologia invasiva de compartilhamento de dados é prontamente tolerada e muitas vezes recebida com entusiasmo.

"A questão é a eficiência e a uniformidade do serviço, porque os robôs não se perturbam com o humor dos humanos. Às vezes, dizemos que não estamos a fim, mas o sistema e o robô sempre estarão a fim", disse Andy Wang, executivo-chefe do Alibaba Future Hotel Management, a divisão que supervisiona o projeto do hotel.

Dentro do hotel, paredes forradas brancas, iluminadas suavemente, lembram os interiores das naves espaciais de Hollywood. Os hóspedes fazem o "check in" em estrados que escaneiam seu rosto, além de seus passaportes e outros documentos de identidade. Hóspedes com carteira de identidade chinesa podem escanear seu rosto usando seus smartphones para fazer o "check in" antecipadamente.

Os elevadores escaneiam o rosto dos hóspedes mais uma vez, a fim de verificar a que andar podem ter acesso. As portas dos apartamentos são abertas com outro escaneamento de rosto. "É muito rápido e seguro. Já faz tempo que não uso isso, mas, basicamente, consigo estar no meu apartamento em um minuto", disse a hóspede Tracy Li. Ela acrescentou que a segurança é uma de suas prioridades e que ela ficou satisfeita de só poder entrar em seu apartamento com o escaneamento de seu rosto.

Nos apartamentos, é usada tecnologia de comando de voz do Alibaba para mudar a temperatura, fechar as cortinas, regular a iluminação e pedir serviço de quarto. No restaurante do hotel, robôs mais altos, em forma de cápsula, entregam a comida pedida pelos hóspedes por meio do aplicativo FlyZoo, enquanto num bar, em separado, um grande braço robótico consegue preparar mais de 20 diferentes tipos de coquetéis.

As câmeras de reconhecimento facial somam as despesas à diária, automaticamente. Para fazer o "check out", os hóspedes apertam um botão do aplicativo; em seguida, o apartamento se tranca e eles são cobrados por meio da carteira on-line do Alibaba. Assim que isso ocorre, os dados do escaneamento facial dos hóspedes são imediatamente apagados dos sistemas do Alibaba, disse Wang.

O FlyZoo - nome de um jogo de palavras em chinês que significa "é uma necessidade ficar aqui" - é localizado na cidade de Hangzhou, 170 quilômetros a sudoeste de Xangai, perto da sede do Alibaba.

As diárias dos apartamentos são a partir de 1.390 yuans (US$ 205). O hotel emprega, sim, seres humanos, mas o Alibaba preferiu não especificar quantos. Entre eles estão chefs e camareiros, além de equipe de recepção, que ajudará nos procedimentos convencionais de "check in" para os hóspedes pouco dispostos a terem seus rostos escaneados e que queiram usar cartões eletrônicos para abrir a porta.

Mas tecnologia avançada envolvendo dados pessoais torna-se cada vez mais comum na China, onde a regulamentação é mínima e o governo implantou projetos de vigilância pública que empregam dados biométricos.

"Para os consumidores chineses, é uma verdadeira alegria ter exposição a coisas que parecem novidades futuristas de tecnologia; além disso, acho que há um nível de conforto muito maior com compartilhamento de dados", disse Mark Natkin, diretor-executivo da consultoria de tecnologia Marbridge Consulting, sediada em Pequim.

O Alibaba lançou outros projetos altamente automatizados de livrarias e supermercados. Embora a maioria dos projetos não vise necessariamente servir de trampolim para grandes investidas nesses setores, seus supermercados, chamados Hema, têm sido bem-recebidos e somam atualmente cerca de 100 unidades em todo o país.

O objetivo de projetos desse tipo é duplo - desenvolver inteligência artificial e outro tipo de know-how de alta tecnologia que possam impulsionar as ofertas de comércio eletrônico do Alibaba, bem como desenvolver novas áreas de negócios.

Alguns de seus serviços, por exemplo, apenas funcionam para hóspedes com identidade chinesa. Mas ele disse que a receptividade inicial da parte dos hóspedes foi estimulante. "Quando eles vivenciam o robô e os mordomos de voz, dizem 'Uau!'", disse Wang. "É um saguão tão diferente. É vazio - mas talvez é o tipo de vazio do futuro."

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