Evercore busca US$ 200 milhões de sócios para aérea Modern

Valor
Por Maria Luíza Filgueiras - 11/02/2019

Gerald Lee, fundador da Modern Logistic: em busca de capital para crescer

Gerald Lee, fundador da Modern Logistic: em busca de capital para crescer

A gestora de private equity DXA e o empresário Gerald Lee abriram uma rodada de captação para a empresa Modern Logistic, em que são acionistas. O mandato está com a assessoria financeira Evercore e o objetivo é levantar US$ 200 milhões no que pode ser uma combinação entre equity e dívida ou somente participação acionária.

A Modern opera com a própria frota aérea e integra a operação com frota de caminhões. São três aviões cargueiros atualmente. A DXA já investiu US$ 50 milhões na companhia e pretende continuar no capital da Modern. A empresa tem a meta ambiciosa de chegar a 15 aeronaves em três anos e expandir o número de centros logísticos.

Lee, o fundador da Modern, costuma contar sua própria história para atrair a atenção de investidores. Ele participou da criação da Azul Linhas Aéreas e da JetBlue. "São cerca de 300 aéreas no mundo e participei da formação de três, duas delas no Brasil", diz.

Mas não é só sua experiência na aviação que compõe o enredo. Sua história é cheia de capítulos incomuns. "Tenho a vida do Forest Gump", define Lee. Filho de chineses, sofreu com a agressão de colegas na escola nos Estados Unidos por não falar bem inglês na infância, trabalhava tirando neve da porta dos vizinhos e lavando pratos em um restaurante chinês para ganhar dinheiro. Para ter renda fixa e tempo para estudar, virou policial em Nova York e acabou trabalhando disfarçado para desarmar uma gangue de narcotráfico. Formou-se em Direito, querendo seguir a linha criminal, mas acabou fazendo assessoria jurídica em operações de fusão e aquisição.

Foi em uma dessas empreitadas que conheceu David Neeleman, quando o escritório Nixon Peabody, em que trabalhava, assessorou a JetBlue na aquisição da LiveTV. Lee assumiu uma diretoria na JetBlue em 2003 e, em 2006, virou vice-presidente de desenvolvimento de negócios. "Um ano depois, a gestora Gávea procurava uma solução para a aérea BRA, que estava quebrada, e David queria criar uma nova companhia", conta o empresário. "Montamos um plano de negócios em 60 dias."

Lee se mudou para o Brasil e ajudou a fundar a Azul Linhas Aéreas, costurando um acordo de compra de aviões com a Embraer. Participou da vice-presidência até 2012, quando fundou a Modern.

Há quatro anos, Lee se casou com uma ex-garota de programa de São Paulo, autora de livros eróticos, conhecida como Lola Benvenutti - de batismo, Gabriela. Ela ficou famosa nas redes sociais e em entrevistas em que conta a história do casal. Segundo Lee, foi ela quem bancou a casa quando a oferta pública de ações (IPO) da Azul foi cancelada, em 2015. Lee já tinha começado a investir na Modern, contando com a venda das ações, o que não aconteceu.

Assim como no roteiro de Forest Gump, os investidores ouvem as histórias de Lee com um misto de admiração e desconfiança - o que torna o papel da gestora de private equity DXA mais importante na captação de recursos. "A ideia da empresa é boa e é ousada, mas precisa de endosso e de se mostrar viável", diz um investidor que analisou a companhia.

A DXA é uma gestora de private equity fundada por brasileiros, em 2012, com sede nos Estados Unidos, onde estão seus investidores. A DXA investe em pequenas e médias empresas e os planos da Modern exigem centenas de milhões de dólares. A gestora já teve em carteira, por exemplo, a fabricante de acessórios para pets Zee Dog, as lojas Uncle K e a varejista infantil BB Básico. A Modern é um investimento fora da curva. A DXA aplicou uma parte do capital e coordenou a atração de outros investidores para aportar recursos ao mesmo tempo.

"A Modern não é só um serviço de logística, mas agrega valor ao negócio do cliente", diz Lee. "Uma empresa de varejo ou farmacêutica garantir a seu cliente o horário em que uma compra vai chegar é um diferencial relevante."

Com a frequência semanal de voos, uso também de aeronaves de outras companhias e centros de distribuição, a empresa diz que pode entregar qualquer produto em todo o território nacional em até 24 horas. No ano passado, por exemplo, fechou contrato para entregas expressas de motos da Harley-Davidson, que levava meses para entregar uma compra a partir da fábrica da montadora em Manaus para 21 concessionárias no país. Outro contrato recente foi fechado com a distribuidora de materiais médico-hospitalares Ekocell, para armazenagem e distribuição no Estado de São Paulo.

Um dos cases de soluções expressas da companhia aconteceu em 2017, quando o show da cantora Lady Gaga foi cancelado no Rock in Rio e o show da banda Marron 5, que estava em Curitiba, foi antecipado como substituição. "Eles precisavam levar toneladas de equipamentos, depois que o show acabasse em Curitiba, à meia-noite, para um show no dia seguinte no Rio", diz Lee. "Do pedido à entrega, foram 20 horas, que é um recorde para esse tipo de solicitação", garante.

O principal desafio da Modern é o alto custo da operação, que precisa de pesados investimentos e também de escala para funcionar. E tornar uma companhia aérea lucrativa não é rápido.

Executivos da Azul dizem que a saída de Lee da aérea não foi exatamente amistosa - ele teria saído por decisão de Neeleman e ficou chateado com o processo. Mas Lee, que costuma falar abertamente sobre qualquer polêmica pessoal e profissional, evita falar o assunto. "A Azul foi uma ótima experiência e mantenho boa relação com as pessoas de lá", diz. "Estou centrado na Modern."

Fale conosco!

Tem alguma pergunta? nos envie uma mensagem.