Logística da soja: será que tudo que produzimos chega realmente até o destino final?

Canal Rural - 22/04/2019

Olá amigo produtor!

Depois do longo e árduo trabalho pra a produzir a soja, queremos que ela chegue ao nosso consumidor final de maneira rápida e sem prejuízos pelo caminho, mas essa não é a nossa realidade aqui no Brasil. As perdas logísticas estimadas, apenas pelo mal escoamento da produção, chegam a contabilizar R$ 2 bilhões por ano, referentes à perda de vendas e gastos desnecessários.

Logística da distribuição de grãos e derivados no Brasil. Adaptado de CNT – Confederação Nacional do Transporte

Logística da distribuição de grãos e derivados no Brasil. Adaptado de CNT – Confederação Nacional do Transporte

O maior problema logístico atualmente é a armazenagem, que é responsável por 67% de todo o montante perdido. Em segundo lugar o transporte rodoviário, que chega a níveis próximos dos 15%. A utilização de armazéns para a estocagem dos grãos foi considerada a principal causadora dos déficits, ainda mais se o armazém for fora da fazenda, começando com os gastos de transportes rodoviários, muitas vezes em estradas não pavimentadas e precárias. Como não há investimento na logística e escoamento da produção, o prejuízo atinge toda a cadeia, como o varejo, atacado, armazenagem, atividades portuárias e ferroviárias. Mesmo o país se tornando o principal exportador de soja do planeta, o caminho da fazenda até o oceano está muito esburacado e muito mal pavimentado, e isso diminui a competitividade do grão no mercado internacional.

Baseado em quase sua totalidade no transporte rodoviário (61%), o escoamento da produção da soja no país se torna empacado, devido à falta de estrutura das rodovias. Com a migração da produção de grãos para o norte e nordeste do Brasil, principalmente na região MATOPIBA, tudo o que é produzido precisa ser escoado, na sua maioria no sul e sudeste do país. Portos fluviais, como o de Miritituba, no Pará, poderiam ser uma alternativa eficiente para o escoamento da produção. Com a capacidade de cerca de 20 milhões de toneladas o porto de Miritituba fica subutilizado, pois os atoleiros e as más condições não deixam que a produção chegue ao seu destino.

Em números, o estado do Rio Grande do Sul chega a perder 1,74% da sua produção somente na logística. Outros estados, como Goiás (0,1%), Tocantins (1,25%) e Piauí (0,2%) também tem grandes perdas durante as operações. Medidas para contornar essa situação são de médio e longo prazos, com a armazenagem de grãos dentro das fazendas, a diminuição das perdas pode chegar em até 21,7%. Com melhores rodovias, a redução do prejuízo poderia chegar a 7%.

Todo esse processo só pode ser efetivamente melhorado com uma série de fatores, como a criação de procedimentos e rotinas nas operações para identificar os pontos-chave das perdas, uso de caminhões mais novos, treinamento e capacitação das pessoas que trabalham nas operações e gestão adequada nos processos e nas empresas.

Até logo!

 

SOBRE O CHICO
Francisco Henrique ou, simplesmente, Chico é engenheiro agrônomo especializado em fitotecnia e melhoramento vegetal. É um dos colaboradores do programa Boas Práticas Agronômicas (Boas), pesquisador da CiaCamp – da Ciência ao Campo – e atua no controle e combate de doenças bacterianas em diversas culturas. Fez mestrado e doutorado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e especialização em Solos e Nutrição de Plantas pela Esalq/USP. É entusiasta das boas práticas e acredita que elas são essenciais para um cultivo mais sustentável, lucrativo e mais eficiente para o produtor.

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