O seu frigorífico vai encomendar cerveja ou leite automaticamente?

IonlineLuís M. Correia - 26/02/2019

A tecnologia para que tudo isto aconteça já existe. Necessitamos basicamente de ter: garrafas ou pacotes com rótulos de RFID; frigoríficos com leitores de RFID e com capacidade de serem programáveis e ligados à internet; supermercados online com possibilidade de aceitarem encomendas automáticas

O seu frigorífico vai encomendar cerveja ou leite automaticamente?

A pergunta “o seu frigorífico vai encomendar cerveja ou leite automaticamente?” não tem uma resposta na perspetiva do “se”, mas antes do “quando”. E a resposta é sim, dentro de alguns anos (daqui a cerca de dez anos!?). A pergunta seguinte é “o que falta realmente para isso acontecer?”, sendo a resposta “banalizar a tecnologia”, ou seja, torná-la mais barata, de modo que possa ser usada de modo massificado quer para os frigoríficos, quer para as garrafas de cerveja ou pacotes de leite (é aqui que está o problema verdadeiro).

A tecnologia para que tudo isto aconteça já existe. Necessitamos basicamente de ter: garrafas ou pacotes com rótulos de RFID (explicarei a seguir o que é isto); frigoríficos com leitores de RFID e com capacidade de serem programáveis e ligados à internet; supermercados online com possibilidade de aceitarem encomendas automáticas.

Na era da internet das coisas (IoT – Internet of Things, na designação em inglês), colocar sensores em objetos pode ser considerado uma banalidade, pelo que colocar rótulos RFID (identificação por radiofrequência – Radio-frequency Identification, na designação em inglês) em objetos, para substituir o atual código de barras, é uma tecnologia que já está disponível. Basicamente, trata-se de um dispositivo impresso (já usado nalguns sistemas de alarmes em lojas) que transmite um sinal com uma certa identificação, depois de receber um outro sinal transmitido pelo sistema. O problema para a sua banalização é, de facto, o custo desta tecnologia, que é ainda demasiado elevado para que possa ser usado num simples rótulo de papel colado a uma garrafa de cerveja ou numa impressão num pacote de leite.

O problema do frigorífico também já está resolvido tecnologicamente. A leitura dos rótulos RFID através de sensores é algo que, de facto, já não tem desafios tecnológicos. Regressando ao exemplo das lojas, o alarme nas suas portas tem um sensor que deteta se um dispositivo passa pela porta, ou seja, entre sensores, gerando consequentemente o alarme. Há, portanto, que instalar este tipo de sensores dentro de frigoríficos e colocar neles um pequeno computador que nós podemos programar para contar rótulos de produtos (garrafas de cerveja, pacotes de leite ou qualquer outra coisa), gerando um pedido quando a quantidade desse produto estiver abaixo de um certo valor. Depois é só ligar o frigorífico à internet, o que é o menor dos problemas hoje em dia. Já existem aplicações, por exemplo, a “Home” no iPhone, que permitem controlar equipamentos domésticos, pelo que basta o frigorífico ter um dispositivo de ligação à internet e ter um telemóvel com uma aplicação para controlar o frigorífico e a ligação à internet.

A questão dos supermercados online com possibilidade de aceitarem encomendas automáticas é meramente comercial. Provavelmente, já é utilizador das compras online, nas quais está confortavelmente sentado num sofá, com um computador sobre os joelhos, decidindo que produtos deseja comprar, que lhe serão entregues no dia seguinte, e indicando depois os dados do seu cartão de crédito, no caso de não o ter já guardado na sua conta de utilizador. Assim, a questão de o seu frigorífico poder encomendar cervejas ou leite é apenas a de listá-lo como um dos dispositivos que poderão estabelecer ordens automáticas ao supermercado.

O problema, muitas vezes, não é portanto o da existência de uma dada tecnologia para que se possa implementar um certo serviço, mas antes o seu custo. É isso que se passa com a encomenda automática de cervejas ou leite pelos frigoríficos. Mas a evolução da tecnologia não para aqui. O desafio seguinte é o de encomendar manteiga quando o pacote estiver consumido acima de uma certa percentagem! Ainda é cedo para encomendar um frigorífico novo, mas prepare-se para isso daqui a uns anos.

Professor de Comunicações Móveis Instituto Superior Técnico

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