Para Panasonic, o futuro pede 'produtos inacabados'

Valor - Por Gustavo Brigatto | De São Paulo

Kazuhiro Tsuga, CEO mundial da Panasonic: "Novas formas de fazer negócio"

Comprar um produto eletrônico, usá-lo por um período e depois substituí-lo por outro é o jeito que o mercado sempre funcionou. Mas não como ele deve continuar funcionando. "O futuro é de aparelhos inacabados, que vão evoluir para se adaptar ao usuário. Temos que acabar com a era do produto que fica defasado com o novo que é lançado", disse Kazuhiro Tsuga, presidente mundial da Panasonic.

O executivo subiu ontem ao palco do Tokyo International Forum, o principal centro de eventos da capital japonesa, e falou a uma plateia de cinco mil pessoas na abertura da comemoração do aniversário de 100 anos da companhia.

Em um dia de sol no início do inverno japonês, Tsuga apresentou o conceito dos produtos inacabados como uma parte do caminho para os próximos 100 anos da companhia. "Nós pensávamos dessa forma [na troca constante de produtos] porque tínhamos pensamento de escala, que era mais fácil e mais lucrativo. Mas se essa é a unica estratégia que você tem, você tem que pensar novas formas de fazer negócio", disse.

Tsuga não deu detalhes de como colocará em prática seu plano, ou qual será a cara dos novos produtos. Mas apresentou exemplos de colaboração com outras empresas e ressaltou o valor da parcerias nesse novo posicionamento. "As parcerias ajudam a ir mais rápido e a ampliar as opções".

Um dos exemplos é a cooperação com duas empresas chinesas para a construção de casas pré-moldadas ou em contêineres, que podem ser usadas em canteiros de obras, sistuações de emergência, ou mesmo como casas de veraneio móveis. No outro caso, com uma rede de fast-food também da China, está sendo desenvolvido um conceito de restaurante inteligente, que usa dados para criar refeições personalizadas e braços robôticos que ajudam a separar ingredientes para preparo dos pratos.

Há seis anos no comando da Panasonic, Tsuga tem trabalhado para reduzir a dependência do consumidor final (B2C) e aumentar os negócios com empresas (B2B), que hoje são 15% da receita.

Nos cinco mil metros quadrados do evento organizado pela companhia, algumas das tecnologias que estão sendo desenvolvidas para ampliar essa fatia estão em exibição. Casas e cidades conectadas - como os projetos que estão sendo desenvolvidos em Fujisawa e Tsunashima -; veículos elétricos e autônomos para transporte de passageiros e de cargas; e processos de manufatura e lojas que operam com dados sobre a movimentação de consumidores e a disponibilidade de produtos estão entre os conceitos que a companhia pretende colocar no mercado nas próximas décadas.

Em um dos pavilhões, uma mini-exposição no estilo feira de ciências apresenta outra linha na qual a Panasonic trabalha para buscar novos negócios: o fomento a startups. Na lista estão uma bengala inteligente, que se comunica com seu usuário e o ajuda a se localizar e o estimula a fazer mais exercício; uma estufa pequena que pode ser usada para plantio de legumes e verduras dentro de casa e um aparelho de clareamento dental que usa água e gás carbônico.

Avançar no mercado B2B não será fácil. As principais concorrentes da Panasonic no mundo B2C, como Samsung e LG, estão fazendo movimento parecido. Isso sem falar em gigantes tradicionais do mundo industrial, como Siemens e ABB.

Com essa disputa ainda no início, como o inverno japonês, a Panasonic precisa aproveitar o bom tempo e conquistar seu espaço antes que a competição fique tão intensa quanto a que se instalou no mercado de produtos para o consumidor final. (O repórter viajou a convite da Panasonic)

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