Setor de logística deve ter mais oportunidades em inovação com hubs

Diário do Nordeste - 07/04/2019

Chegada de Roterdã, no Pecém, acelera o desenvolvimento do Porto e de toda cadeia que o cerca

Chegada de Roterdã, no Pecém, acelera o desenvolvimento do Porto e de toda cadeia que o cerca

Embora tenha uma economia baseada em setores tradicionais, como o comércio varejista e a indústria voltada para produtos de baixo valor agregado, o Ceará vem apostando cada vez mais no segmento de tecnologia e inovação. Além das perspectivas geradas pelo centro de conexões (hub) de cabos submarinos, com a instalação do data center da Angola Cables, os hubs logísticos, marítimo e aéreo, deverão apresentar um novo leque de oportunidades para empresas desse segmento, o que deve ser reforçado com o volume dos financiamentos em projetos de inovação, que também crescem significativamente.

"O ambiente de inovação faz parte do projeto Ceará 2050 (plataforma de planejamento colaborativo que une poder público e iniciativa privada), e isso irá contribuir para que a gente não fique sempre com esses 2% das exportações do Brasil, por estarmos apenas nos setores tradicionais, como o têxtil e calçadista", diz Alci Porto, diretor técnico do Sebrae-CE. "Os serviços de tecnologia estão crescendo no mundo todo, mas para isso é preciso criar uma ambiência favorável para esses investimentos", observa.

Segundo Porto, a demanda por serviços inovadores gerados pela cadeia produtiva do setor aeroviário já é uma realidade, e deverá ser impulsionada com a consolidação do hub aéreo em Fortaleza e a ampliação do Aeroporto Internacional Pinto Martins. "Temos ainda o hub marítimo, e com a parceria com Roterdã irá ampliar suas operações gerando uma grande oportunidade para negócios de alto nível em inovação, assim como o data center", aponta.

Investir na capacitação

Para este ano, Porto diz que o Sebrae deverá investir cerca de R$ 1 milhão para preparar empreendedores para suprir demandas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) e dos municípios do entorno. "E com o polo de cabeamento submarino, e a Angola Cables, vão surgir grandes oportunidades para as nossas startups e o Sebrae atuará como uma incubadora dessas iniciativas", explica.

Um dos principais instrumentos para fomentar projetos inovadores no Estado tem sido a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), que vem atuando em conjunto com a academia e a iniciativa privada com foco na pesquisa aplicada.

Em 2018, a Funcap destinou R$ 12,9 milhões para projetos de inovação, sendo R$ 3,3 milhões em inteligência científica e tecnologia na segurança pública, R$ 1,6 milhões em projeto de pesquisa para inovação na esfera pública, e R$ 764,0 mil em projeto de ensino de matemática.

Ao todo, foram beneficiados 205 bolsistas e 48 pesquisadores e empresas. E o investimento de instituições parceiras foi de R$ 624,0 mil, totalizando R$ 13,6 milhões.

Apenas o valor disponibilizado no ano passado é mais da metade de tudo que foi investido nos 12 anos anteriores. De 2005 a 2017, a Funcap destinou R$ 21,2 milhões em projetos inovadores, sendo o maior volume para tecnologia da informação e comunicação (TIC), com R$ 4,0 milhões. Em seguida aparecem os segmentos do agronegócio (R$ 3,1 milhões), biotecnologia (R$ 2,8 milhões), saúde (R$ 2,8 milhões), construção civil (R$ 20 milhões), dentre outros segmentos.

"Nesses últimos anos, o foco da gente foi o fomento à inovação para elevar a riqueza e o desenvolvimento do Estado, por meio do estímulo a pequenas empresas", diz Jorge Soares, diretor de inovação da Funcap. "Nos últimos 10 anos foram beneficiadas 278 empresas, sendo mais de 100 apenas nos últimos três anos".

O que ainda falta

Soares aponta o pioneirismo do Ceará como motivo para que o Estado se torne um polo de inovação deste segmento, mas reconhece que ainda há muito o que ser feito. "Hoje, do total de projetos (de inovação), pouco mais de 5% são voltados para energia. Então, precisamos incentivar isso, buscando formar um polo de conhecimento em energia". Já a parte voltada para tecnologia da informação representa cerca de 30% dos projetos da Funcap.

Jorge Soares avalia que, para que a iniciativa dê resultados, é preciso que haja compartilhamento de conhecimentos e maior integração com os governos e empresas. "É preciso que possamos ampliar, por exemplo, a implantação de empresas dentro da universidade com objetivo de difundir o conhecimento produzido e gerar energia para a sociedade", aponta.

De acordo com Sampaio Filho, presidente do conselho temático de inovação e tecnologia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), para que o Estado chegue a um patamar considerado ideal para o setor de inovação, é necessário aumentar o número de startups, estimular a criação de parques tecnológicos, incentivar a criação de patentes, e elevar o nível de transferência tecnológica e o montante de investimento para pesquisa.

Responsável por desenvolver o projeto Inova Ceará, que trabalha a inovação entre as indústrias do Estado, Sampaio aponta que, entre os desafios para atingir bons resultados, falta a cooperação entre startups e indústrias, a qualificação de empreendedores para atuar num cenário de incerteza e competitividade global, e a aprimoração de mecanismos de interação entre os setores empresarial, acadêmico e governamental. "Mesmo as nações que lideram o ranking de inovação, não param de fomentar o ambiente. Trata-se de um processo que requer análise e melhoramentos contínuos", indica.

Chegada de Roterdã, no Pecém, acelera o desenvolvimento do Porto e de toda cadeia que o cerca

Instalação de um hub aéreo faz com que novos negócios sejam desenvolvidos no Ceará. Foto: Helene Santos

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