Startup Ubook atinge 6 milhões de usuários

Valor - Por Rodrigo Carro | Do Rio - 23/01/2019

Startup Ubook atinge 6 milhões de usuários

Foto: Valor

Com atuação em sete países, a startup brasileira de audiolivros Ubook alcançou seis milhões de usuários registrados ao fim de 2018, uma expansão de 33% em pouco mais de quatro meses. A expansão acelerada - de 1,5 milhão de usuários incorporados desde agosto - é resultado, em grande parte, de acordos com operadoras móveis brasileiras. A empresa também vem diversificando suas frentes de atuação. Além de mirar o mercado internacional, iniciou no ano passado a oferta de serviços para o público corporativo e a venda de livros impressos.

O apetite da Ubook pode ser medido pelos cerca de 200 títulos cujos direitos a empresa adquiriu nas três mais recentes feiras literárias internacionais das quais participou - Frankfurt, Barcelona e Guadalajara, entre outubro e dezembro de 2018. Para transpor essas obras para o formato de áudio, a empresa ampliou de três para sete o número de estúdios próprios de gravação. As novas instalações permitiram aumentar a produção mensal de 50 para 60 títulos gravados, entre livros, jornais e revistas.

Nos Estados Unidos, as vendas de audiolivros somaram mais de US$ 2,5 bilhões em 2017, de acordo com o relatório mais recente da Associação de Editores de Áudio (APA, na sigla em inglês). O montante representa uma expansão de 22,7% no faturamento, em comparação com 2016.

No mercado brasileiro, os maiores concorrentes são a americana Audible, uma companhia controlada pela Amazon, e o serviço Google Play. O acervo da Audible soma mais de 180 mil títulos, praticamente metade do que é oferecido pelo Ubook.

Iniciados no ano passado, os planos de internacionalização da Ubook não seguiram exatamente conforme o previsto. Originalmente, a meta da empresa carioca era chegar a 12 países ainda em 2018, o que acabou não ocorrendo devido a atrasos na integração com parceiros locais, diz o presidente da Ubook, Flávio Osso.

Como resultado da demora, parte da expansão internacional acabou ficando para 2019.

Por meio de acordos com 21 parceiros, a startup planeja estar presente em 18 países até o fim de março. A expansão não inclui presença física, somente a oferta de conteúdo pelos canais digitais de operadoras móveis e livrarias. A maioria dos novos mercados (dez) está na América Latina, mas também está prevista a entrada na Espanha e na Inglaterra, além de países insulares do Pacífico.

Na lista de parceiros internacionais com contratos já assinados estão operadoras como a americana Vodafone, a francesa Orange e a Movistar, marca comercial da espanhola Telefónica. "São operadoras que estão presentes em vários países, o que nos garante maior capilaridade geográfica", diz Osso.

O executivo não revela o faturamento da startup, mas diz que a receita alcançou o patamar de oito dígitos no ano passado. O modelo de negócios da empresa se baseia na cobrança de uma assinatura mensal (R$ 29,90 no Brasil), que dá ao usuário acesso ilimitado a um acervo de 360,5 mil títulos. Desse total, 330 mil são podcasts; 15,5 mil, audiolivros; e 15 mil são e-books (livros digitais). Os arquivos de áudio podem ser consumidos por streaming (transmissão de áudio e vídeo via internet, sem necessidade de baixar o conteúdo, download parcial (capítulos avulsos) e download completo.

Além de investir na ampliação do acervo de livros gravados, a startup abriu duas novas frentes de negócio no ano passado. Lançou em junho uma plataforma de e-books e em agosto deu início à oferta de livros impressos sob demanda (POD, na sigla em inglês).

Com o serviço de POD é possível imprimir um único exemplar por vez para atender à demanda. "A empresa perde na margem, mas zera o risco [de encalhe]", afirma Osso, em comparação com as editoras tradicionais, que imprimem de uma só vez milhares de exemplares de uma obra. A diversificação dos negócios também levou a Ubook a enveredar pelo mercado corporativo no último trimestre de 2018.

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