Transporte de cargas brasileiro: pesquisa aponta conquistas e desafios

Mundo Logística - Publicado em 31/08/2018

Segundo Confederação Nacional do Transporte, crescimento da malha rodoviária e de rodovias pavimentadas é desigual em relação à alta na frota de veículos

Segundo o Anuário CNT do Transporte 2018 divulgado nos últimos dias, pela Confederação Nacional do Transporte, no transporte rodoviário, responsável pela movimentação de 61% das cargas comercializadas em todo o país,  a malha rodoviária pavimentada cresceu apenas 0,5% no período entre 2009 e 2017. Nesses oito anos, a proporção de rodovias pavimentadas se manteve a mesma: apenas 12,4% do total de 1.720.700 quilômetros. Esse dado evidencia um descompasso com o crescimento da frota de veículos, que foi de 65,4% no período de 2009 e 2017, além do aumento das movimentações de cargas no mercado interno.  

De acordo com as informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a balança comercial do Brasil chegou ao superávit de US$ 362 milhões na primeira semana de agosto. As exportações no período foram de US$ 2,415 bilhões, enquanto as importações, US$ 2,052 bilhões. Em 2018, o saldo positivo é de US$ 34,398 bilhões. O setor de transporte de cargas também apresenta dados que comprovam esse cenário. Segundo dados dos sistemas da AT&M Tecnologia, líder no processo de averbação eletrônica de transporte de cargas, em 2017 foram registrados  R$4,2 trilhões, sendo que em 2016 foram R$2,8 trilhões, representando um aumento de 50%.

Ao mesmo tempo, os setores de logística e transporte de cargas enfrentam problemas contra roubos de cargas. No Brasil, o prejuízo causado pelas quadrilhas chegou a R$ 1,5 bilhão em 2017, segundo a NTC & Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística). Somente no Estado de São Paulo, em 2017, foram registradas 10.584 ocorrências de roubo de cargas, representando aumento de 6% em relação a 2016. Os produtos mais visados pelos ladrões são alimentos, cigarros, eletrônicos e remédios.

Segundo Vagner Toledo, sócio diretor da AT&M Tecnologia, que atende mais de 25 mil empresas (transportadoras, corretoras, seguradoras e embarcadores), esse cenário reafirma a necessidade da realização de fortes investimentos em infraestrutura de transporte no país, pois, os gastos com tecnologia e segurança que os empresários possuem para evitar o roubo de suas mercadorias aumentam a cada ano. Para proporcionar maior segurança às transportadoras, evitar fraudes, prejuízos contra roubos de cargas, hoje, muitos especialistas do setor de transporte ressaltam a importância da averbação eletrônica do seguro da carga.

Vagner Toledo explica que esse processo consiste em informar à seguradora, a ocorrência e os detalhes de um transporte que será assegurado, conforme resolução 247 (SUSEP) que obriga contratação do seguro de responsabilidade civil (RCTR-C) e  a averbação de cada embarque antes do início da viagem; Normativa ANTT que torna  obrigatório informar o número de averbação dos CT-es ou NF-es para a emissão do Manifesto Eletrônico de cargas 3.0. Ou seja, não é possível emitir o MDF-e sem a averbação dos documentos que estão relacionados nele; Resolução CNSP 361 publicada em junho de 2018, passou a ser obrigatório o envio do MDF-e para a companhia de seguro, antes do início da viagem.

Como evitar prejuízos na logística e no transporte
O executivo alerta que com todas essas regulamentações citadas acima, o caminhão não deve iniciar a viagem, antes de averbar devidamente os documentos. As averbações que não são realizadas de forma correta, com qualidade e segurança, o resultado será prejuízo operacional com a logística, ou seja, caminhões podem ser proibidos de trafegar pelos órgãos fiscalizadores, prazos juntos aos clientes deixarão de ser cumpridos e caso ocorram acidentes ou roubos das mercadorias, a carga de um determinado transporte que não foi averbada não estará devidamente assegurada.

http://www.revistamundologistica.com.br/noticias/transporte-de-cargas-brasileiro-pesquisa-aponta-conquistas-e-desafios

 

 

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