Transporte foge à regra e cresce desde o ano passado

Valor Online - 15/08/2018 às 05h00

Por Arícia Martins | De São Paulo

O segmento de transportes foi o mais afetado pela greve dos caminhoneiros, mas mesmo assim é o que mostra melhor desempenho entre os analisados na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Enquanto, na média, o volume de serviços prestados no país subiu 0,9% em junho, na comparação com igual mês do ano anterior, os serviços de transportes, armazenagem e correio avançaram 4,4% no período.

Silvio Sales, consultor do Ibre, destaca que o comportamento mais positivo é observado há mais tempo. Entre janeiro de 2017 e junho deste ano, o volume total de serviços só cresceu em três meses, também na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior - variação que Sales prefere, por retirar a volatilidade do ajuste sazonal. Já os transportes mostraram 12 altas em um ano e meio.

O Ibre aponta, em levantamento especial feito devido aos dez anos da Sondagem de Serviços, que a dinâmica da atividade de transportes é muito próxima da do PIB total no Brasil. Isso porque "a movimentação de cargas e o fluxo de pessoas estão bastante associados ao ritmo de produção e de consumo em todos os setores da economia", avaliam a economista Andressa Durão, também responsável pela sondagem, e Silvio Sales.

Diferentemente de outros países com grande extensão territorial, onde o modal ferroviário é predominante, no Brasil o transporte rodoviário responde por 61,1% da matriz do setor no país, observam. O segmento tem peso de cerca de 30% na PMS. Já no PIB de serviços - que também engloba o ramo do comércio e a administração pública -, a participação do setor é mais reduzida, de 6%.

"O setor de transportes responde à economia como um todo. Ele refletiu também o escoamento das safras e o aumento das exportações industriais", comentou Sales, para quem o segmento deve seguir com comportamento mais positivo do que os demais.

Na análise, o Ibre também destaca o impacto da paralisação dos condutores no setor. Na média, 66,3% das empresas de serviços consultadas afirmaram que seus negócios foram afetados pela greve em maio, fatia que chegou a 90,4% nos transportes. A segunda atividade mais impactada foi a de serviços prestados às famílias (82,5%), seguida de serviços profissionais (52,7%) e de serviços de informação e comunicação (49,9%).

Em junho, 36,1% dos empresários disseram que seus negócios ainda estavam sob efeito do bloqueio nas estradas. O destaque, mais uma vez, foi o ramo de transportes (46,5%). Para Sales, mesmo com a greve, é possível que os serviços fechem o ano no azul, mas em ritmo bem aquém dos da indústria e do varejo. Se a PMS ficar estável daqui até o fim do ano, terminará 2018 com alta de 0,6%, estima o especialista.

 

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