Vieira dos Santos: Digitalização permite penetrar na «alma da cadeia logística e encontrar paradigmas de eficiência»

Cargo Revista

Logística, Marítimo - 24/10/2018

 

O 21º Congresso da APLOG continua a gerar proveitosa informação que, do ponto de vista da Revista Cargo, merece destaque total, ou não fosse vital para entendermos as dinâmicas logísticas e portuárias num contexto de magnética digitalização, que atraí e suga tudo à sua volta e obriga o universo do transportes de cargas a adaptar-se a novos paradigmas que vêm mudando a configuração logística de forma indelével.

O painel ‘Shipping & Ports 4.0’, realizado no segundo dia do Congresso da APLOG, juntou figuras ilustres do sector marítimo-portuário em torno do tema dos efeitos da vaga 4.0 nas operações portuárias e na própria redefinição ontológica do transporte de mercadorias – um dos nomes mais proeminentes do sector portuário, Jaime Vieira dos Santos, foi um dos grandes destaques do evento. O Presidente da Comunidade Portuária de Leixões elaborou um eloquente discurso sobre a metafísica logística, abordou a digitalização e mediu o pulso ao avanço de Portugal no domínio 4.0.

A metafísica da Logística 4.0: uma alma pronta a ser decomposta

Um dos inigualáveis trunfos da digitalização é a capacidade de aceder ao âmago semântico e funcional da cadeia logística, dela extraindo todas as significâncias para posterior análise e capitalização – a ideia vincada por Vieira dos Santos lembra, no entanto, que com tamanho poder vem, por arrasto, uma outra hercúlea responsabilidade: a de manter a cadeia logística a salvo dos «pilha-galinhas», que, naturalmente, evoluíram em consonância e, hoje em dia, podem ameaçar a integridade do tecido logístico sob o completo anonimato. E onde mais dói: na «alma».

«Pilha-galinhas sempre existiram. Nada de novo, a não ser a sofisticação do pilha-galinhas. E porque é que se sofisticou? Porque a cadeia logística se sofisticou. Qual é o grande desiderato da cadeia logística? Eliminar a viscosidade dos movimentos das cargas. Transformar os óleos duros que demoram a movimentar no canal em água, que é talvez o melhor líquido que circula no canal. Nada de diferente. Os carregadores, quando nos entregam-nos as cargas, pretendem que estas sejam entregues no destino o mais rapidamente possível», explicou.

Vivemos na era da «entrada na alma da cadeia logística em todos os seus segmentos», explicou Vieira dos Santos

Transportando-nos depois para a contemporaneidade «pós-revolução industrial», Vieira dos Santos traçou, de modo sucinto, o progresso do Transporte até à actual etapa, mais revolucionária a nível metafísico que o que se poderia alguma vez pensar: «Tivemos o primeiro avanço na redução da viscosidade com o motor de explosão, que acelerou o transporte na parte do movimento da carga. Nos anos 50 investiu-se nos interfaces para eliminar a viscosidade, com o contentor. O terceiro chegou agora: é a entrada na alma da cadeia logística em todos os seus segmentos».

Penetrar na «alma da cadeia logística» permite «encontrar os paradigmas da maior eficiência do movimento das cargas»

«A cadeia logística é fragmentada, de porta-a-porta, vários actores. Cada fragmento procura articular com o seguinte. Ora, o contentor veio resolver o problema da sincronização do interface. Antes do contentor as operações eram sequenciais mas não eram sincronizadas. O contentor trouxe a sincronização mas não trouxe aquilo que a digitalização traz – a capacidade de ir à alma da cadeia e encontrar os paradigmas da maior eficiência do movimento das cargas, incluindo na passagem do interface, e até, obviamente, descobrir novos negócios. Este é o grande tema actual e do futuro. O pilha-galinhas também se sofisticou nesta matéria», atirou.

Fonte: Revista Cargo

 

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