Delivery Center ganha mais um sócio

Valor - 05/09/2019
Por Rafael Rosas

Companhia prevê faturar R$ 100 milhões este ano e mantém meta de R$ 1 bilhão e 200 centrais em 2021

Blazoudakis, CEO: entrada da CCP reforça a visão de que os shoppings podem abrir seus inventários para a companhia. Leo Pinheiro/Valor.

Blazoudakis, CEO: entrada da CCP reforça a visão de que os shoppings podem abrir seus inventários para a companhia. Leo Pinheiro/Valor.

A Delivery Center, empresa de entregas que utiliza centros de distribuição a partir de shoppings centers, deu esta semana mais um passo para aumentar sua capilaridade e poder de vendas. A Cyrela Commercial Properties (CCP) anunciou segunda-feira a aquisição de 11,28% do capital da companhia, juntando-se a acionistas como Multiplan, com 16,83%, e BR Malls, com 34,52%. O plano da Delivery Center é atingir faturamento de R$ 1 bilhão em 2021, atendendo 20 cidades com 200 centrais instaladas no país.

O controle operacional da companhia continua nas mãos dos cinco sócios originais, o CEO Andreas Blazoudakis; a diretora de estratégia e gente, Cristiane Mendes; o diretor de operações, Saulo Brazil; o diretor de logística e expansão, Gilberto Halpern; e o diretor de experiência, Joaquim Neto. Além desses acionistas, há pequenas participações do Outback, do grupo Triggo (dono do Spoleto) e do family office da família Galló.

O presidente da companhia explica que, de imediato, o acordo com a CCP, que envolveu o aporte de R$ 12 milhões, engloba a possibilidade de entrega em 12 edifícios que a empresa administra nas regiões da Berrini e da Faria Lima, na capital paulista, cada um com cerca de 3 mil trabalhadores. Agora, diz Blazoudakis, a tendência é que a Delivery Center possa atender diversos pedidos nesses prédios com apenas uma entrega. "A gente estima que sejam de 300 a 500 almoços na hora de pico. Isso tem tudo a ver com o casamento de pedidos. O mercado [no Brasil] hoje é de um pacote por pedido. Na China, é de cinco pacotes por pedido. O Delivery Center, por ser um 'hub', já tem a média de dois pacotes por pedido."

O sistema da empresa consiste em um contêiner nos estacionamentos dos shoppings, com cerca de 50 motoboys pagos pela companhia. Como é uma plataforma aberta, processa todos os pedidos feitos a lojas desses centros comerciais. Em outras palavras, o cliente, em casa, pode entrar diretamente no aplicativo da Delivery Center, que automaticamente o jogará para o shopping mais próximo. Se o pedido for feito por uma plataforma como iFood, Rappi ou Uber Eats, a entrega também será de responsabilidade da companhia. A remuneração, paga pelo lojista, é de 21% do valor da compra no caso de pedidos de comida, com 9% para a Delivery Center e 12% para a plataforma onde o pedido foi gerado (o iFood ou outro semelhante). Quando o pedido é feito no aplicativo da companhia, ela fica com os 21%. Já o motoboy, além do salário, leva em média R$ 10 por entrega, pagos pelo cliente final. Além disso, 10% da comissão da empresa - entre 0,9% e 2,1% da venda - ficam com o shopping.

A vantagem para o lojista está na capacidade da empresa de organizar melhor a logística de entrega, com garantia de prazo de até 50 minutos, pois consegue, com a saída de um motoboy, incluir produtos de diferentes lojas. "Tem duas revoluções grandes aí. Primeiro, viabiliza que o shopping, que era o pior lugar de delivery, vire o melhor", explica Blazoudakis, acrescentando que a segunda revolução é uma consequência da primeira. "O lojista que faz delivery ruim, leva nota ruim [nos aplicativos] e fica mal rankeado. Quando eu melhoro a entrega, a nota sobe e ele fica mais à vista no aplicativo. O mercado é feito de capa", diz, lembrando que, em média, as lojas de shopping atendidas pela empresa vendem o dobro no on-line que as empresas de rua.

Blazoudakis ressalta que a entrada da CCP na sociedade reforça a visão de que os shoppings podem abrir seus inventários para a Delivery Center porque o controle da companhia não vai ficar com alguém do mundo on-line. A explicação para o temor inicial dos shoppings é simples: quando uma plataforma com a Delivery Center é utilizada por um determinado shopping, ela tem acesso ao estoque dos lojistas. Ou seja, o lojista reduz a dependência das vendas físicas e todos os produtos da loja passam a estar disponíveis no aplicativo da companhia que realiza as entregas. Havia o temor de que isso, no futuro, tornasse os shoppings apenas "um tijolo" que encareceria a cadeia pela cobrança de aluguel dos lojistas. "A parceria mostra que os shoppings podem continuar acreditando na companhia e podem abrir os inventários [das lojas], porque a empresa não vai ser controlada por alguém do mundo on-line", diz.

A Delivery Center começou a operar no ano passado, tem hoje um faturamento na casa dos R$ 8 milhões por mês e espera fechar o ano com R$ 100 milhões faturados. A empresa opera em Porto Alegre, em três shoppings, São Paulo e Rio de Janeiro - nessas últimas com operações em nove shoppings em cada cidade. Até o fim do ano, inicia operações em Belo Horizonte, Curitiba e Brasília. Em Porto Alegre funciona a única unidade nos moldes "dark mall", shoppings que têm apenas lojas e entregadores, sem clientes, pois trabalham apenas para distribuição de pedidos feitos on-line.

Há acordos para operação exclusiva nos shoppings dos sócios da empresa - Multiplan, BR Malls e CCP -, mas a companhia também atua em unidades operadas por redes como Ancar e Aliansce.

Hoje, 93% do faturamento é baseado em refeições e 7% vem de outros produtos comprados pelo aplicativo da empresa. A meta é que esse patamar vire e em 2021 a participação dos pedidos de comida seja de 40% e dos outros itens, de 60%. "O tíquete médio de comida é R$ 50 e do 'não comida' é R$ 130. Mesmo que compre menos, a receita pode ficar maior no 'não comida'", diz Blazoudakis.

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