Varejo mostra reação em setembro, diz Luiza Trajano

Valor - 08/10/2019
por Cibelle Bouças

Luiza Trajano: com investimento em transformação digital e logística, Magazine Luiza cresce acima do mercado

Luiza Trajano: com investimento em transformação digital e logística, Magazine Luiza cresce acima do mercado

O varejo brasileiro apresentou sinais de recuperação em setembro, disse Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza. “Começamos a ver uma luz no fim do túnel. O varejo começa a ter reação”, disse a executiva.

De acordo dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o varejo cresceu 2,3% no mês passado. Na visão da entidade, o aumento foi impulsionado pela Semana do Brasil e pela liberação dos saques do FGTS.

Luiza disse que espera uma reação positiva do setor nos próximos meses, com a liberação dos recursos do FGTS. A executiva também espera que a aprovação das reformas pretendidas pelo governo federal contribua para a recuperação.

Em relação ao desempenho da rede Magazine Luiza, a presidente do conselho ponderou que o grupo apresenta ao longo do ano um desempenho acima da média do varejo e tem cumprido seus objetivos ao longo deste semestre.

No primeiro semestre, a companhia registrou um crescimento de 26,2% nas vendas totais, para R$ 11,47 bilhões. A receita líquida avançou 18,2%, para R$ 8,64 bilhões. O lucro líquido cresceu 80%, para R$ 518,7 milhões.

Luiza observou que a companhia trabalha há alguns anos na sua transformação digital, o que contribuiu para a melhoria dos resultados. Ela acrescentou que a varejista adotou como aposta o investimento na área logística.

“Montamos um diferencial logístico de oferecer a entrega em até duas horas [das compras online]. Esse é um diferencial que com o atendimento faz diferença para o consumidor”, afirmou.

A executiva foi à China recentemente pela segunda vez — a primeira foi em 2007— e disse que ficou assustada com a velocidade da evolução tecnológica de lá. “É essencial ao varejo brasileiro imprimir mais velocidade para se manter competitivo”, afirmou.

Luiza acrescentou que o varejo chinês tem crescido muito com o desenvolvimento de serviços de pagamento digital.

De acordo com dados da empresa de pesquisas Worldscore, 39% das vendas on-line na China são processadas pelo Alipay, do Alibaba; e 33% ficam nas mãos do WeChat, da Tencent.

“No Brasil vamos ter que competir com pagamento digital de bancos, Google, Facebook, e outros. Vai vencer quem conseguiu fidelizar os clientes”, afirmou Luiza.

Luiza e outros representantes do varejo participaram ontem do evento “China uma viagem para o futuro”, realizado pela Cidade Center Norte, em parceria com a Associação Brasileira de Franchising (ABF) e as consultorias BTR e Varese. Varejistas consideraram o comércio eletrônico “cross-border” (que permite vender on-line diretamente ao consumidor de outro país) como a melhor opção para a entrada das empresas brasileiras na China.

Eduardo Terra, sócio da BRT e presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), observou que na China, 5,11 bilhões de pessoas possuem celular, ou 67% da população. Atualmente, 578 milhões de chineses possuem carteira digital para pagar compras on-line, e esse número cresce a taxas de dois dígitos a cada ano.

“Na China é comum fazer pagamentos usando o QR Code [código de imagem], e já estão começando a adotar o pagamento por reconhecimento facial. As empresas brasileiras precisam estar atentas a essas mudanças e acelerar o desenvolvimento de tecnologias para competir”, disse Terra.

Ele observou que o comércio eletrônico no país asiático é dominado pelas empresas Alibaba e Tencent, que desenvolveram serviços de pagamento digital eficientes. O TMall, do Alibaba, é o maior comércio eletrônico com presença de marcas internacionais. De acordo com Terra, 15 marcas brasileiras estão presentes, incluindo Havaianas (da Alpargatas), Melissa e Ipanema (da Grendene) e Tramontina.

“Considerando que a Austrália tem 1,2 mil marcas, o Brasil tem muito a crescer na China”, disse.

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